terça-feira, 20 de setembro de 2011

New Race - Quando Detroit invadiu a Austrália



Hoje vou escrever um pouco sobre uma das bandas (não gosto do termo "projecto", aplicado a bandas musicais, mas se calhar aqui seria mesmo o termo ideal) que menos duração teve, mas que conseguiu causar um impacto significativo, especialmente em termos históricos.

Estávamos em 1981 e os Radio Birdman estavam a acabar. Um dos guitarristas desta que foi, sem qualquer dúvida, uma das bandas mais importantes da cena punk australiana (se não a mais importante... a par dos Saints), era um senhor chamado Deniz Tek. Deniz, nasceu em Detroit e emigrou na década de 70 para a Australia.

Qual a importância disto? Aparentemente nenhuma... mas sim, tem importância!

Eu tenho sempre defendido que a cena punk australiana dos anos 70 (e mesmo a de 80s) é aquela que mais próxima fica do High Energy de Detroit, personificado pelos Stooges, MC5, entre outras...

Se a cena punk americana se torna mais violenta (em termos musicais e não só), bebendo da energia de Detroit e levando-a para outro patamar... se a cena punk inglesa é muito mais baseada no rock mais "garage" e nas bandas da brittish explosion dos 60s (Small Faces, The Who...)... a cena Australiana descende directamente da cena de Detroit e é a que menos lhe toca.

E muita da culpa disso é deste senhor... Deniz Tek e dos seus Radio Birdman.

Esta introdução serve para explicar o porquê da importância dos New Race.


Os New Race eram  uma espécie de "all star band" formada por três membros que seguiram directamente dos Radio Birman:

- Deniz Tek (guitarra)
- Rob Younger (voz)
- Warwick Gilbert (baixo)

Quem completava o quinteto? Nada mais nada menos que dois convidados especiais directamente da terra natal de Tek...

- Ron Asheton (guitarra)
- Denis Thompson (bateria)

Deveriam dispensar apresentações, mas estamos a falar do guitarrista dos Stooges e do baterista de MC5, respectivamente.

A banda estava formada e juntava o melhor do punk australiano com o High Energy de Detroit, com os melhores intervenientes directos possíveis.

Duraram apenas uma tournée, feita à base de concertos em salas pequenas (mas apinhadas) na Austrália e lançaram apenas um disco, ao vivo, de nome "The First and The Last".

Capa da edição original australiana - lançada em 1982


Pode ser um álbum ao vivo, mas foi muito trabalhado em estúdio (misturas e overdubs são evidentes) e é um disco de qualidade e de importância história notável!

Para quem gosta de Stooges, MC5 e do punk australiano inicial tem aqui um disco obrigatório!

O tracklist é interessante... mistura temas originais com versões de Radio Birdman, de MC5 e de Destroy All Monsters (banda onde Ron Asheton era também guitarrista).

Existe uma re-edição em Cd (2002 - Total Energy Records) que contém mais duas músicas (entre elas a versão de Stooges - "Loose", directamente do álbum Funhouse), mas sinceramente nunca a vi à venda (nem pela net), por isso não me vou alongar muito mais sobre ela.

Capa da re-edição de 2002 da Total Energy com 12 temas


Existem outros registos discográficos dos New Race, mas nada oficial, tudo bootlegs (alguns de muito má qualidade sonora!!).

Por isso digo que este disco é obrigatório. Há re-edições em vinil, em cd (porque o original é raro e um tanto ao quanto caro), por isso é só procurar pelos sítios do costume, porque vale mesmo a pena).



New Race - November 22, 1963 (cover de Destroy All Monsters)



New Race - Looking at You (cover de MC5)




New Race - Crying Sun (cover de Radio Birdman)


New Race - Alone In The Endzone (cover de Radio Birdman)

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Rebellion Festival - Dia 4

Ora pois chegámos ao ultimo dia do festival.

Os pés já doíam, o cansaço acumulado já era muito, mas o cartaz não permitia quaisquer tipo de veleidades... hoje era mais um dia com uma grande mão cheia de bandas...

Acabei por perder cinco concertos que queria ver - Red Alert, Sick On the Bus, Jello Biafra, ATV e Lurkers...

Neste dia a minha preferência foi por ver os concertos na íntegra e não andar constantemente de um lado para o outro para apanhar meia hora deste, 40 minutos daquele e afins... outras bandas estavam simplesmente sobrepostas.

Por isso, assentei arraiais no palco principal (Empress Ballroom) desde as 16h30 e de lá só saí para ir ao bar, fumar e ao WC...

Os primeiros a entrar em palco foram os "local heroes"... Goldblade. Era uma banda que tinha curiosidade para ver ao vivo e não defraudaram. Punk rock com atitude e tomates no sítio. Tocaram músicas que já conhecia (Psycho, All We Got Is Rebel Songs...), fizeram um tributo à falecida Poly Styrene (X-Ray Spex), enchendo o palco de mulheres para ajudarem a cantar "Oh Bondage Up Yours" e terminaram com chave de ouro com o clássico que deu nome ao 1º álbum... "Do You Believe In The Power Of RocknRoll". Um concerto muito bem conseguido.

Em seguida entrou em palco Glen Matlock com os seus Philistines. Entre covers de Sex Pistols, Rich Kids, Monkees (o clássico Stepping Stone) e músicas do próprio... o baixista da formação original dos Pistols presenteou a rapaziada com um Rock'n'Roll misturado com Power-Pop de segunda divisão, bem tocado mas sem grande originalidade nem grande interesse. Foi um concerto giro de se ver, especialmente porque eram 5 e meia da tarde, pouca gente e deu para ver mesmo lá à frente descansadinho, mas pouco mais do que isso.

Ora... às 18h40 entravam em palco uma das bandas mais aguardadas pela minha pessoa... The Outcasts. Uma das bandas clássicas da Irlanda, reuniam-se pela primeira vez desde há alguns anos...  e ainda bem! Excelente concerto!! Abriram com o clássico "Self Conscious Over You" e continuaram durante mais de 40 minutos a lançar clássicos como "You're a Disease" ou "Just Another Teenage Rebel". Terminaram em grande com "The Cops Are Coming" naquele que foi dos melhores concertos do dia. Muito bom!

Seguiram-se os UK Subs. Compreensivelmente, uma das bandas mais respeitadas no seio do punk londrino, subiram ao palco e abriram com o grande tema "Endangered Species, seguindo-se um rol de temas como "Kicks", "Down At The Farm", "Riot" e terminaram com "Warhead". Claro que voltaram para o encore que contou com "CID", "I Live In A Car" e "Stranglehold". Boa prestação dos UK Subs, mas aquém daquilo que já os vi fazer em Almada há um par de anos atrás...

Às 21h15 começava o concerto da noite (para mim)... subiam ao palco os Slaughter & The Dogs para interpretar, na íntegra, o seu álbum "Do It Dog Style". Ok... tendo em conta que é dos meus álbuns preferidos e daqueles que me acompanham há mais de uma década, não podia estar mais ansioso. E claro... começar um concerto com o mega-clássico "Where Have All The Boot Boys Gone" é de deixar logo qualquer um rendido. Pogo do princípio ao fim, numa actuação brutal dos ingleses.


Destaque para a grande adesão do público em "Boston Babies" e também em "You're A Bore", "Quick Joey Small" e "We Don't Care". Depois de terminado o álbum, a banda saíu e voltou para um encore que foi nada mais nada menos que "The Bith" e "Cranked Up Really High" (o 1º single!!). E foi uma maneira brutal de terminar o concerto, com toda a gente a cantar, a pular, a dançar... num ambiente único de um concerto simplesmente fantástico!!


Slaughter & The Dogs

Faltava só mais um concerto e era hora de ir para casa...

Mas o concerto que faltava eram os Adicts e eram uma banda que eu também queria (bastante!!) ver.

E foi exactamente aquilo que esperava deles... clássico atrás de clássico num ambiente divertido. O vocalista, Monkey, soube agarrar o público com os seus "truques de magia" e de "circo", deixando todos os presentes com um sorriso nos lábios, enquanto nos presentava com temas como "Let' Go", "Chinese Takeaway", "Who Split My Beer", "Viva La Revolution" (e a sala quase vinha abaixo!), "Joker In The Pack". Terminaram, em grande, com o hino "You'll Never Walk Alone" e, mais uma vez, toda a gente ergueu o punho e cantou enquanto fitinhas, balões, confetis e afins voavam pela sala... Quem diz que o punk rock não pode ser alegre?

The Adicts

Ora, terminados os Adicts, era hora de voltar para o hotel e no dia a seguir deixar Blackpool...


No entanto, com Zero Boys, DOA e SNFU já confirmados para o Rebellion Festival de 2012, parece que é cada vez mais provável regressar.


Foram 4 dias cansativos, mas certamente inesquecíveis.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Rebellion Festival - Dia 3

Sábado!!

Bastava olhar para o cartaz e ver o que de bom hoje havia para ver...

Admito que ainda tentei acordar cedo e ir para o recinto ao meio dia porque pouco depois tocavam os Rat City Riot, banda com a qual já dividi o palco, mas acabei por deixar isso... e ficar a descansar mais um bocado.

Então, a primeira banda do dia foram os clássicos 999, no palco principal às 15h40. E que maneira de começar o dia... a banda de Nick Cash foi simplesmente brilhante! Grande concerto. Uma força de guitarras impressionante, uma voz sempre no sítio e o baixista (Arturo, dos Lurkers) sempre a manter a secção rítmica impecável. Os clássicos foram todos tocados... destaque para "Homicide", "Nasty Nasty", "Feeling Alright With The Crew" e "Inside Out". O concerto foi tão bom que obrigou a banda a 2 encores e a organização a ligar de novo os amplificadores que já estavam desligados para preparar a banda seguinte. Um dos encores foi com "My Street Stinks".

Isto só mostra como os 999 ganharam o público com o seu rock com uma grande veia punk e honestidade. A banda que até agora participou em todos os Holidays In The Sun / Rebellion Fest mostrou que está para lavar e durar. Impressionante!

999

Depois do 999 foi hora de ir comer qualquer coisa porque depois não haveria mais tempo para nada. Eram 18h20 quando, na Arena, entraram em palco os London. A banda que lançou o LP Animal Games, apresentou-se num concerto mediano. Daqueles concertos que foi giro, mas nada de especial. Deixaram de fora os temas do single... a cover de "Friday On My Mind" e "Siouxsie Sue". Basearam o seu set no Animal Games e conseguiram uma prestação razoável.

Na mesma sala, menos de uma hora depois entraram em palco os Splodgenessabounds. Tocaram o seu street punk e fizeram-no bem. A sala, que estava menos de meia nos London, ficou bem mais cheia agora. O público aderiu bem e o concerto foi melhor que o de London (mas ainda assim nada do outro Mundo).

Às 20h10, já na sala principal, entraram em palco The Boys. Concertão!!! Embora os 999 tenham estado mesmo muito bem, os The Boys conseguiram superar a actuação dos rapazes do Nick Cash. Entrou directamente para o Top 3 de concertos do festival. Energia, intensidade e muito rock'n'roll foram os ingredientes deste concerto.

Os clássicos sucediam-se um atrás do outro... "Sick On You", "Terminal Love", "I Don't Care", "Brickfield Nights" e obviamente "First Time" foram interpretados de forma soberba pela banda londrina, que provou ser das melhores bandas punk rock ainda em actividade.

Depois vinha o grande problema da noite... às 21h30 entravam em palco os Dickies. E entraram de rompante, a tocar os clássicos dos primeiros discos... "Banana Splits" e "Nights In White Satin" abriram o set. Seguiram-se mais duas músicas da fase inicial... mas o relógio não permitia ficar mais tempo. O concerto estava a ser mesmo bom.

O problema é que 22h00 começavam os Newtown Neurotics. E essa era uma banda que eu não podia perder. Começaram mesmo à hora (pontualidade britânica) e começaram com "Wake Up". Quando terminou a primeira música, Steve Drewett informava que o set desta noite era o LP "Beggars Can Be Choosers" (de 1983) de uma ponta à outra.

Mais feliz não podia ficar! Seguiu-se "The Mess" e  começava a ficar decepcionado. A voz de Drewitt desafinava aqui e ali (de forma notória!!)... Só que depois entrou num trio de músicas que me deixou completamente aterrado (no melhor sentido possível)... "Get Up And Fight", "No Respect" e "Agony" foram tocados na perfeição e embalou a banda para um concerto excelente. Não ao nível dos The Boys, mas claramente ao nível de 999. O público todo cantava as músicas, o ambiente era simplesmente fantástico e os clássicos continuavam a suceder-se. A fechar, a cover dos Members com a letra alterada... "Living With Unemployment" foi provavelmente o momento mais alto de todo o festival. Não só porque a letra continua actual (ou se calhar, mais do que nunca) - o que lhe deu uma carga emocional brutal - como os próprios coros o permitem. Momento de antologia, sem dúvida!

Newtown Neurotics

 A banda que se seguia era Church Of Confidence. A banda vem de Berlim e tem já uma discografia que engloba 5 álbuns de originais. Conheci-os quando estavam na editora alemã People Like You. Desde então que acompanho a sua carreira.

Lançaram no ano passado o seu 5º LP de nome "Takin' Over" e começaram com os 3 temas que abrem o mais recente lançamento... "Rejected", "Hey Ho Let's Go" e "Call Of The Wild". Seguiram-se os temas antigos... desde "Teaching The Children How To Play The Blues" até "Livin' On Crime", passando pela cover de Zero Boys "Civilazion's Dying" e terminando com "West Berlin", os Church Of Confidence deram um excelente concerto punk rock'n'roll influenciado por Social Distortion, Ramones e Motorhead. Destaque para a participação de TV Smith (The Adverts) no tema "Only One Flavour", composto pelo birtânico e que entrou num álbum de originais dos COC. Muito bom concerto dos alemães que mostraram estar em grande forma.

Quando terminaram os alemães, era perto da meia-noite e era altura de beber mais uma cerveja e ir até à Empress Ballroom ver os Cock Sparrer, a banda que mais gente trouxe ao festival. A sala estava completamente cheia (e é bem grande). Começaram atrasados, mas começaram (como sempre) com o clássico "Riot Squad". A adesão do público foi simplesmente fantástica. Os refrões foram cantados por praticamente toda a gente.

Os Cock Sparrer já habituaram toda a gente a concertos muito bons e este não foi excepção. Não vi até ao fim, mas ainda ouvi clássicos como "What's It Like To Be Old", "Working" e "Watch Your Back", que causaram a verdadeira loucura na sala.

No entanto, não deu para ver tudo... porque na sala ao lado (Arena) meia-hora depois do começo de Cock Sparrer tocava Eddie and The Hot Rods.

Não vi o início da banda (ainda estava nos Cock Sparrer), mas vi o concerto praticamente todo (e ainda bem). Muito bem conseguido... pub-rock e punk misturados num desfilar de grandes temas... "Quit This Town" ou "Do Anything You Wanna Do" foram temas que se puderam ouvir durante o concerto. No final, uma série de várias covers... incluíndo "The Kids Are Alright", "Gloria", "Get Out Of Denver" e "Born To Be Wild". A noite de sábado foi assim fechada com chave de ouro.

Que grande dia este!!

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Rebellion Festival - Dia 2

Ora bem, depois de um bom primeiro dia, era altura de regressar, sexta-feira, aos Winter Gardens para mais um dia de bom punk-rock.

O cartaz para o 2º dia era forte e a dificuldade estava em escolher as bandas a ver. Por opção, preferi descansar bem e ir para os concertos apenas ao final da tarde para poder aguentar as bandas mais fortes à noite.

E por isso, o primeiro concerto que vi foi às 19h10 na Arena. Em palco, o trio hardcore The Stupids. Sempre gostei desta banda. E o concerto foi exactamente aquilo que estava à espera. Hardcore ultra-rápido, com músicas de 1 minuto e com as vocalizações a serem divididas pelo baixista e pelo baterista. Gosto deste hardcore old-school (por vezes infantil... e muito! no caso dos Stupids) e, como tal, saí satisfeito da Arena.

  
The Stupids

Em seguida, era altura para escolher entre Vibrators e Peter and The Test Tube Babies. Confesso que pensei duas vezes, mas acabei por ir ver a banda do Knox. Até porque quem ia comigo nunca os tinha visto e tinha imensa curiosidade em o fazer.

Ora bem, primeiro erro crasso... os Vibrators entraram em palco sem o Knox... sendo as vocalizações divididas pelos três elementos que actualmente, pelos vistos, compõem a banda britânica. Ora então... pelo que já percebi pelo myspace dos Vibrators, Knox saíu mesmo da banda que criou em 1976, deixando-a entregue ao outro membro fundador, Eddie (Bateria). No baixo, já há alguns anos, temos o Peter (dos No-Direction) e na guitarra Nigel (guitarrista dos clássicos The Members). E foram estes três que nos deram os clássicos do costume (Troops of Tomorrow, Judy Says, Baby Baby...) e a surpresa com o Nigel a cantar o hino dos Members, "Sound of the Suburbs" que foi mesmo a música que teve maior aderência do público. Decepcionante...

Felizmente, em seguida tocaram os Anti-Nowhere League e presentearam-nos com o melhor concerto da noite e um dos melhores do festival. Abriram as hostilidades, como sempre, com a "We Are The League" e seguiram-se cerca de 50 minutos do melhor punk rock que se pode ver. "Streets Of London", "Let's Break The Law", "For You", "So What", "We Will Survive" e o mais recente single "This Is War" foram temas que se puderam ouvir com a Empress Ballroom (bem composta) a prestar a devida homenagem a uma grande banda.

Anti-Nowhere League

Terminada a banda de Animal e companhia, seguiram-se os Business, com o seu Oi! competente, com direito aos clássicos (quase) todos e ao público skinhead em delírio. boa actuação dos ingleses, como aliás seria de esperar. A Empress Ballroom ficou bastante composta também para receber a banda de "Suburban Rebels", "Harry May" e "The Truth The Whole Truth" (provavelmente o ponto alto do concerto).

Depois do Oi! dos Business, era altura de descer um pouco até ao Olympia (palco sem grandes condições, diga-se...) para ver os clássicos GBH. A banda que é um dos porta-estandartes da Legião UK 82 fez aquilo que já se esperava deles... tocaram o seu punk-hardcore com guitarradas aqui e ali a roçar o metal, bem mais rápidas que os distantes originais da década de 80. Pessoalmente, não gostei muito (acho que as músicas rápidas demais perdem muita da sua piada)... mas não deixou de ser um concerto razoável.

Atenção que não vi  GBH até ao fim, porque 35 minutos depois destes começarem, na sala principal dava-se o regresso aos palcos dos Infa-Riot. Antes de tudo, devo dizer que nunca fui grande adepto desta banda. Conheço bem o 7' Kids Of The 80's e razoavelmente o LP Still Out Of Order. No entanto, tal como aconteceu o ano passado quando fui surpreendido por um concerto fantástico dos Angelic Upstarts (banda que nunca gostei por aí além), este ano foram os Infa-Riot que me prendaram com uma excelente (mesmo!) actuação, recorrendo a todas as músicas antigas que eu conhecia, sempre bem executadas e com garra. Começaram com a sua versão avassaladora do "Emergency" e a partir daí arrancaram para um concerto muito bom, ficando o público igualmente rendido. Uma das excelentes actuações do festival, sem dúvida.

Infa-Riot

Quando Infa-Riot terminaram ainda deu tempo de ir fumar um cigarro, beber uma cerveja e voltar para a sala Olympia (que espero sinceramente que reconsiderem em futuras edições a sua não utilização, pelo menos para bandas grandes). 45 minutos depois da meia-noite entravam em palco os Damned. A minha curiosidade para os ver era enorme. Sou fã de Damned desde os meus tenros 15/16 anos. Gosto de tudo até ao Black Album e tenho alguma simpatia pelo Grave Disorder (com a Patricia Morrison no baixo). No entanto, Damned são daquelas bandas, até pela sua antiguidade, que mais facilmente nos desiludem do que nos conquistam.

Devo dizer que eu, pessoalmente, gostei do concerto, fiquei surpreendido pela positiva. Provavelmente porque o set do concerto foi praticamente todo baseado no Machine Gun Etiquette (que é só o meu album preferido deles), do qual tocaram 5 músicas. Começaram em grande com "Melody Lee" e acabaram melhor ainda com "Smash It Up". A juntar aos temas deste albúm, tocaram ainda do 1º "Fan Club" e os clássicos "New Rose" e "Neat Neat Neat". De resto... "Wait For The Blackout" e uma ou outra mais recente completaram o set.

O line-up actual, da formação clássica, apenas conta com Dave Vanian e Capitain Sensible, o que não deixa de ser pena.

Acabados os Damned, era hora de voltar para o hotel e preparar o próximo dia, também ele recheado de bandas de eleição para ver.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Rebellion Festival - Dia 1

Ora então cá está a prometida review ao festival punk do ano, o Rebellion Fest, em Blackpool.

Antes demais devo dizer que foi a minha estreia em festivais na Grã-Bertanha. Já tinha estado no Punk & Disorderly em Berlim, mas cedo me apercebi que a dimensão deste é bastante superior. São 6 palcos (um deles acústico, ao género Café Concerto), sempre com bandas a tocar. Bandas desde as mais conhecidas no universo punk, até à banda mais underground de Londres ou do Canadá.

O primeiro dia, naturalmente, foi o dia do aquecimento, do reconhecimento do terreno, do beber de todo aquele ambiente em torno de nós.

Os concertos eram nos Winter Gardens, um edifício gigante que apenas está parcialmente utilizado pelo festival. Já li na revista disponibilizada à entrada aquando da compra do bilhete e da sua troca pelas já habituais pulseirinhas, que para 2012 teremos mais uma sala disponível com capacidade para cerca de 2000 pessoas.

A organização do festival foi irrepreensível. Tudo feito a perceito e tudo com um propósito. Os seguranças são simpáticos (ao contrário de cá), acessíveis. Existiam dois corredores só com bancas de vinil e merchandising (onde no primeiro dia muita gente, incluindo eu, fez as suas comprinhas).

No primeiro dia, dois dos palcos estiveram inactivos (a maior sala tinha dois palcos, mas manifestamente sem grandes condições).

Assim, deu para conhecer o o palco principal (Empress Ballroom) e aquele que foi o palco que eu mais gostei, a Arena (um palco mais pequeno, mas bastante acolhedor, ideal para concertos de bandas médias mas capazes de agarrar o público). Ainda passei pelo palco Acústico (para beber) e também pelo Bizarre Bazaar onde tocavam artistas mais "diferentes" do habitual street punk, Oi!, Punk 77 que o festival usualmente nos oferece.

Então vamos começar pelas bandas...

Depois das compras, da visita geral ao festival, era tempo de começar a ver concertos.

A primeira banda que vi foram os Geoffrey Oi!Cott, já passavam 45 minutos das 6 da tarde. O palco era a Arena (o tal mais pequeno, mas com mais "jogo" punk 77).

Geoffrey Oi!Cott


Admito que não conhecia rigorosamente nada desta banda. Entraram em palco vestidos de branco e o vocalista trazia nas mãos um taco de Criquete, desporto bastante popular na Inglaterra. O público, maioritariamente skinhead, rapidamente gritava "Yorkshire! Yorkshire!". Percebi que deveria ser a terra natal da banda.

Começaram a tocar... Street-Punk Oi! assumido, com influências de Cockney Rejects, 4-Skins ou Major Accident.

Não sendo naturalmente a minha chavena de chá (embora durante alguns anos tenha ouvido bastantes bandas Oi! e Street Punk, especialmente da Legião 82), admito que gostei de ouvir esta banda. Segura, coesa e com uma boa interacção com o público. Devo acrescentar que tocar na Arena tem outra vantagem, é a sala que melhor som tem.

O primeiro concerto foi bom, mas era hora de ir jantar porque a seguir vinham as "bandas a sério".

Depois do estômago cheio, era tempo de rumar ao palco principal (Empress Ballroom). Estavam prontos para começar os World Inferno Friendship Society. Mais uma banda que pouco conhecia. Tocavam uma espécie de "punk alternativo" ou uma espécia de "world music meets punk rock", a fazer lembrar uns Magazine das sua fase inicial, mas mais melódicos. Pelo que li na revista oficial do festival, são uma banda composta por mais de 30 (!!!) elementos, mas apenas 6 se apresentaram em palco, se a memória não me falha. Era o vocalista, a baixista, a baterista, o guitarrista e duas mulheres a tocar violino.

Sinceramente não desgostei de certas partes (ou certas músicas), mas no geral achei o concerto um bocado aborrecido. Ainda assim, terminaram com chave de ouro com o clássico "Only Anarchists Are Pretty".

Em seguida ia tocar a banda que mais gente meteu no 1º dia do festival... The Old Firm Casuals. Quem são? A nova banda do Lars Frederiksen dos Rancid.

Conseguiram, às 22h05, deixar muito bem composta a Empress Ballroom. O som era um Street Punk / Oi! copiado dos clássicos dos Cockney Rejects e dos Clash.

Devo mesmo dizer que esta banda não é mais do que um reciclar de riffs que todos já ouvimos. Aliás, um dos riffs de uma música era praticamente igual à "Clash City Rockers". Sim, tocam bem, mas foi uma banda completamente desinteressante que nada de novo traz ao que quer que seja.

Resta acrescentar que terminaram o concerto com o clássico dos Last Resort, "Violence In Our Minds", com o próprio Roi Pearce a cantar a música.

Terminada a actuação dos Old Firm Casuals era altura de ir para a frente... iam começar os Off! Pessoalmente, eram a banda que eu mais queria ver no festival todo. Já expliquei em dois posts anteriores que tenho o vocalista dos Off! (Mr. Keith Morris) em grande consideração. Devo mesmo dizer que, para mim, é o melhor vocalista punk rock de sempre (em termos vocais). Depois, era altura de ver a banda na sua fase inicial, ainda cheia de raiva e de vontade de mostrar serviço.

 
Off!
E devo dizer que fiquei rendido! Off! ao vivo foi melhor do que eu estava à espera. Foram cerca de 35/40 minutos sempre a abrir, sempre a despejar o punk/hardcore furioso com garra e vontade.

Fiquei rendido, completamente. Tocaram, na íntegra, os 5 Ep's que já têm no mercado.

O momento alto foi o tributo ao Jefferey Lee Pierce (Gun Club) com a música com o nome do mítico vocalista da banda garage californiana.

Este concerto, para mim, foi um dos três melhores do Rebellion e dos melhores concertos de punk que tive o prazer de assistir.

Quando terminaram, deu tempo para ir fumar um cigarro, beber mais uma cerveja e descansar os pés... porque a seguir vinham os reis do psychobilly, os Meteors.

Começaram com um instrumental e seguiu-se o clássico "Shout So Loud". Admito que era das bandas que também mais queria ver, mas desta vez saí um bocado desiludido. Se o Sr. Fenech esteve muito bem (como parece ser habitual) e se o contra-baixista (Simon Linden) também cumpriu bem com o seu papel, o baterista (Wolf) pareceu-me limitado naquilo que fazia. Parecia que usava sempre o mesmo ritmo para todas as músicas.

Não gostei muito, mas ainda cantarolei temas como "Shout so Loud" ou "Wolfjob" (um dos meus temas preferidos dos Meteors).

Antes do fim dos Meteors ainda dei um saltinho ao Bizarre Bazaar ver o que faltava do concerto dos Bay City Rollers liderados pelo membro original,  Eric Faulkner.

Já os tinha visto o ano passado em Berlim e voltei a ver este ano, ficando com a mesma opinião. Muito bom ao vivo, fazendo mesmo lembrar uns Vibrators (na sua melhor fase). (Power) Pop com toques de punk e glam que continuam a resultar mais de 30 anos depois.

Depois era hora de voltar ao hotel para descansar e dormir o sono dos justos, porque no dia seguinte (sexta-feira) havia mais bandas boas para ver!

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

De Inglaterra com Amor - Rebellion Fest 2011 (Blackpool)



Finalmente as férias acabaram.


Entre idas por aqui e para ali, destaca-se, claramente, a ida ao maior festival punk de todos... o Rebellion Fest. Teve lugar em Blackpool, uma simpática cidade costeira inglesa. Fica a 1h30 de comboio (confortável, leia-se) de Manchester e é equidistante de Liverpool.

O ambiente já no aeroporto de Manchester era pre-festa na véspera do festival. Camisas de 999, t-shirts de UK Subs, The Joneses, Killing Joke, Cock Sparrer ou 4-Skins podiam-se avistar na estação de comboios que era colada ao aeroporto.

Sinceramente sentia-me como peixe na água. Olhar à volta e ver centenas de pessoas com a mesma "escola" que eu e com gostos musicais semelhantes sempre foi algo que me fez arrepiar.



Quanto ao festival em si, dada a quantidade de bandas que consegui ver, vai demorar até conseguir uma análise minimamente decente.

No entanto, esta virá... o seu a seu tempo...

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Os Estudantes - Punk Hardcore do Brasil


Bem, em primeiro lugar devo dizer que, tirando a 1ª geração, o punk brasileiro a mim sempre me passou ao lado.

Gosto dos Olho Seco, dos Replicantes, dos Camisa de Vénus, dos Inocentes, de uma ou outra coisa dos Cólera e pouco mais.

No entanto, há coisa de 1 ou 2 anos descobri uma banda que me encheu as medidas.

O nome pode enganar (e a capa do Cd também), mas quando metemos o CD/LP d' Os Estudantes a tocar na aparelhagem não há hipótese... arrasador!!

Para quem (como eu) gosta dos DYS, Social Unrest, Los Olvidados, Zero Boys, Black Flag, Circle Jerks, Negative FX e por aí, aqui está uma banda cujo álbum devia ser obrigatório na colecção.

Contam ainda só com um Split  (2001) com os Evil Idols (uma excelente banda de speed punk à Zeke também do Brasil), um LP/CD sem nome (2007), um EP (2007),  e uma entrada numa compilação brasileira (2010).

O impacto desta banda já chegou além-fronteiras, chegando mesmo à capa da mítica revista Maximum Rock'n'Roll em 2010.


Começaram a tocar juntos em 2000, oriundos dos escombros de uma banda de nome Claro Que Não, herdando o vocalista e baixista desta banda.

Pessoalmente, só conheço mesmo o álbum... que é uma descarga de energia do principio ao fim. Destaque para o grande tema "Não Quero Saber" (algures entre Circle Jerks e Minor Threat) e para "Pária" (hardcore de excelência à Negative FX).

Aguardo ansiosamente que chegue um segundo disco, pelo menos tão bom como o primeiro.

Para mais informações, podem consultar:

- O Myspace Oficial da Banda


- Blog "Contos do Underground"







Dois trechos de actuações ao vivo dos Estudantes, enérgicas e caóticas como podem ver