segunda-feira, 4 de julho de 2011

Atentado - o 1º albúm

Já tem data de lançamento o 1º trabalho dos Atentado, banda que nasceu das cinzas dos extintos Atrofiados em 1992.

Entretanto, quase 20 anos depois surgem com um line-up renovado (onde apenas o baixista Pedro Do Vale se mantém da formação original) e com um som poderoso e impressionante

Contam com rapaziada que já arranhou em bandas como Twenty Inch Burial, Subcaos, We Are The Damned, entre outras e deram já alguns concertos bastante fortes (diz quem viu, o que não foi o meu caso).

O 1º álbum desta banda vai sair pela Raging Planet Records na famigerada data de 11 de Setembro deste ano e vai-se chamar "Paradox". Vão ser 14 músicas que oscilam entre originais compostos pela actual formação e temas "reciclados" da maquete dos Atrofiados. O line up do CD vai ser:

1 - Towers Of Disgust
2 - Dust
3 - Victimized
4 - Sea Of Confusion
5 - Iatrogenocide
6 - Corrosive
7 - Downfall
8 - No Glory
9 - Tragic Kingdom
10 - Minus One
11 - Dogma Destroyer
12 - Burn Hollywood Burn
13 - The Dark
14 - Paradox
Para além destes temas vão haver 2 bonus tracks que não entram na edição em CD (o que deve querer dizer que também vai sair em vinil) que são uma cover dos Midnight Oil da Australia (o mega-hit Beds Are Burning) e Absolutism.

Enquanto não sai o disco, podem ir ouvindo os temas que estão disponibilizados no facebook da banda.

Halloween - A Noite dos Mortos Vivos

Ora, parece que é oficial e já tem data o regresso dos Corrosão Caótica aos palcos.

Vai ser no Music Box na noite de 31 de Outubro.

O cartaz em baixo é provisório e foi retirado do facebook oficial da banda. Assim que houver mais novidades acerca deste evento vai ser anunciado aqui.

Toyota Playboy, Legion Of The Sadists, Mata-Ratos, The Parkinsons e Marky Ramone

Nos últimos tempos isto tem sido pródigo e abundante em concertos.

Guardei os últimos 3 concertos para fazer uma review só. Ora então cá vai:

Toyota Playboy – Ora começamos muito bem, com uma grande surpresa. Não sei que raio de associação de ideias me levou a pensar que esta banda era mais uma da lista do “rockabilly tão aborrecido que nem dá vontade de ver”... ora pois que me enganei. Bastaram duas ou três músicas para me fazerem levantar os ouvido e, depois, ir lá para a frente abanar a cabeça e levantar o copo. Energia, garra e alguma loucura (da saudável... pelo menos, no nosso mundo é saudável) são os ingredientes desta banda. As influências não sei quais são, mas soa claramente a Gun Club com mais distorção com pitadas de Cramps e algum punk-rock mais “garageiro”. Admito que me surpreenderam e espero vê-los em breve, em Lisboa ou noutro lado qualquer. Mas fiquei realmente com vontade de os ver novamente. Até sei que banda ia muito bem com esta... a ultima que me surpreendeu nesta área chama-se Alto!

Legion Of The Sadists – Por onde começar? Gostei, claro que gostei. Ouvi temas que adoro, re-vi amigos de longa data, passei um bom bocado... mas esta banda já não é a mesma coisa. Ganharam em qualidade de execução, a segunda guitarra dá outra energia e o baterista é mais completo e capaz. Há temas que ganham realmente muito com esta nova formação. Provavelmente devia ter começado por explicar que o vocalista nestes dois concertos (Coimbra e Loulé) não foi nem o Cobretti, nem o Poli... foi o membro original Smash Sadist.

Mas por outro lado, há qualquer coisa ali de diferente... parece-me que a coesão não é a mesma e a “mística” também se perdeu um pouco. Aquela energia genuína que saía dos 4 elementos originais, não sei porque motivo, perdeu-se um pouco e isso empobrece os concertos, onde esta banda sempre foi aterradora (no bom sentido).

Portanto... sim, ganha-se em qualidade musical, mas perde-se na selvajaria e atitude. Ainda assim, brilhantes as interpretações, especialmente, de “Vidas Sujas”, “No Sports, Just Whiskey”, “No Tomorrow” e o melhor tema do concerto... “Nazty Venus”. Tou ansioso por pôr as mãos no 2º álbum dos Sadists!!

Fotos por Joana Oliveira
 
Mata Ratos – Surpreendido! Foi assim que fiquei. O alinhamento foi muito bem escolhido e a banda pareceu que tinha uma energia extra que me deixou mesmo muito contente. Começaram logo com o “Ratos” (um dos melhores temas dos Mata-Ratos!) e seguiram-se muitos outros clássicos... “Eu Tenho um Pobre”, “Amor Eterno”, “Leis de Merda”, “Xupaki” (tema que fechou com chave de ouro o concerto) e aquele que foi para mim o melhor momento do concerto: “Outra Rodada”. Só achei que em certos momentos uma segunda guitarra seria muito útil e traria uma maior energia a uma banda que dispensa qualquer tipo de elogios. Excelente!

 Fotos por Joana Oliveira 

 The Parkinsons – Nostalgia pura. Este concerto fez-me recuar vários anos no tempo. Tal como há 9 ou 10 anos, no 1º concerto em Lisboa que deram, começaram com “Too Many Shut Ups” e a partir daí foi a descarga de energia que estes 4 nos habituaram. O setlist foi muito bem escolhido, todos os bons temas estavam lá (e ainda se conseguia arranjar mais uns quantos) e os Parkinsons deram-nos um bom momento de punk rock à Clash, Damned ou Stiff Little Fingers. “Angel In The Dark”, “Reason To Resist”, “Underclass”, “Heroes and Charmers”, “Bedsit City”, “Nothing To Lose”, “Bad Girl” e por aí fora fizeram a Caixa Económica Operária vir abaixo num excelente concerto de punk rock. É pena este tipo de eventos pecarem por escassos. Depois veio o encore com “Primitive” (a melhor música dos Parkinsons!), “New Wave” e “Scientists”, que foi o culminar brilhante de uma noite para mais tarde recordar.

Os Parkinsons são daquelas bandas que conseguem agarrar o público do princípio ao fim. A energia que têm, as boas músicas que tocam e o carisma que conseguem transmitir, faz deles um caso ímpar e singular no punk rock nacional. Que me lembre, nenhuma banda portuguesa (ou 75% portuguesa) a cantar em inglês se conseguiu impôr de uma forma sequer parecida... Ajuda o facto do Victor Torpedo ser um guitarrista que faz lembrar a cada movimento o Mick Jones... Ajuda o facto do Afonso ser um dos 3 melhores front-men portugueses, com tiques de Stiv Bators ou Iggy Pop... ajuda certamente as músicas serem boas, orelhudas e bem tocadas.

E pronto, assim me meteram mais 2 ou 3 dias a re-ouvir os cd's que tenho dos Parkinsons. Obviamente que o concerto não foi tão bom como das outras vezes que os vi... mas é natural que uma banda que se reúne não esteja tão oleada como uma banda que esteja embalada por dezenas ou centenas de concertos e ensaios. Mas foi um concerto do caralho!

 Fotos por Joana Oliveira 

Marky Ramone's Blitzkrieg – Se Mata-Ratos e os Toyota Playboy surpreenderam pela positiva... este concerto do Marky foi decepcionante. Achei o Marky um tanto ao quanto preso de movimentos, mais em baixo que das outras duas vezes que o vi. A banda suporte também era mais fraca que as anteriores. Ok, tal como conversava no final do concerto... o facto de ser o Michale Graves a cantar fez-me elevar um pouco as expectativas. Mas achei um tanto ao quanto despropositado este tentar colar a voz à do Joey. E foi também despropositado e aborrecido (para ser amigo) o set a solo do Michale a interpretar só à guitarra temas da fase mais recente de Misfits (Fiend Club, Descending Angel e Scream).

 Fotos por Joana Oliveira  

Quanto ao concerto em si... foi sempre a partir do princípio ao fim... Rockaway Beach, Teenage Lobotomy, Psycho Terapy, Do You Wanna Dance, Havana Affair, Pet Semetary, Beat On The Brat, She's The One, Chinese Rocks e por aí fora fizeram as delícias da audiência (bastante jovem!) e puseram a rapaziada toda a cantar, naturalmente.

Os grandes destaques da noite, para mim, foram a versão dos Motörhead (“R.A.M.O.N.E.S.”) e uma versão realmente boa da “Poison Heart”.

Terminaram a primeira parte do concerto com o clássico “Pinhead”, com a rapaziada toda a berrar “Gabba Gabba Hey” com todos os pulmões. Depois veio o tal “set de Michale Graves a solo” que já falei em cima.

Finalmente, concluíram a actuação com “Dig Up Her Bones” (Misfits), “Have You Ever Seen The Rain” (Creedence Clearwater Revival, também versionada pelos Ramones no seu album de covers – Acid Eaters), “Wonderful World” (Louis Armstrong, também versionada pelo falecido Joey Ramone no seu album a solo – Don't Worry About Me) e, claro, “Blitzkrieg Bop” a terminar.

Foi uma hora e tal divertida, sem dúvida, a ouvir temas da banda que mais me marcou e que continuo a considerar a melhor banda de sempre. Obviamente que foi um bom concerto... mas de um Rock'n'Roll Hall Of Famer espera-se mais (muito mais) do que tocar ad eternum músicas escritas pelos seus companheiros (já falecidos, note-se). Especialmente quando o mesmo Marky Ramone (ou Marc Bell) tocou em Dust, Richard Hell and the Voidods e tem albúns com os Speedkings e outras bandas de suporte.

Mas como diz um amigo meu... se ele andasse a tocar as coisas dele ao vivo... tocava para 100 pessoas se tanto.

 Fotos por Joana Oliveira 

segunda-feira, 20 de junho de 2011

The Vindictives - discografia para sacar

Quem se lembra das bandas da Lookout Records nos anos 90, certamente se lembra dos Vindictives.

Na sua formação original tinham o Ben Weasel (dos Screeching Weasel e autor de uma coluna da Maximum Rocknroll - recentemente viu todos os membros dos Screeching saírem por este ter agredido uma mulher em pleno concerto) e disponibilizam agora a sua discografia para que a malta possa fazer o download gratuito e legal.

Podem aceder ao site oficial da banda aqui e podem sacar os albúns todos aqui.

Para quem quer passar uns dias a ouvir pop-punk à Ramones/Queers, aqui está um bom pretexto para o fazer através de uma das bandas underground mais conhecidas por o fazerem.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Manraze - Paul Cooke e Phil Collen juntos de novo

Ora... em 1995, Steve Jones, dos Sex Pistols, juntou-se a Duff McKagan (Guns'n'Roses), Matt Sorum (Guns e The Cult) e a John Taylor (Duran Duran) e criou os Neurotic Outsiders.

Lançaram um disco (homónimo) que é uma bem conseguida mistura entre Sex Pistols (da fase Silly Thing), Guns'n'Roses (mais punk, da fase do Apettite For Destruction), Social Distortion e restantes bandas californianas dos 80s nesta onda mais roqueira.


Vídeo de "Jerk" dos Neurotic Outsiders; O oficial pode ser visto aqui

Ora, companheiro de longa data do Steve Jones (Sex Pistols, Professionals e inúmeros outros projectos), o Paul Cook não lhe quis ficar atrás e fundou, algures em 2004, uma banda chamada Manraze, juntamente com Phil Collen, guitarrista dos Def Leppard. Para o baixo, recrutaram Simon Laffy que foi companheiro de Collen nos Girl (uma excelente banda de rock americano - 1979/83 - que viria a estar na base de Def Leppard).

Os Manraze são assim um power-trio que iniciaram os seus concertos em 2005 e estiveram especialmente activos em 2009, entrando em tournée com Alice Cooper.

Entretanto, em 2008 lançaram um albúm, de nome "Surreal". Desse disco, saiu o single "Turn It Up":



O som da banda situa-se num rock alternativo, com visíveis toques punk e também uma faceta mais "radio-friendly" vinda do hard-rock. O som tem semelhanças óbvias com os Neurotic Outsiders, mas com menos agressividade e "raiva".

Preparam-se agora para lançar um novo disco, de nome "PUNKFUNKROOTSROCK"que pode ser encomendado através do site oficial da banda.

Só por curiosidade, o Glen Matlock também tem a sua banda, os Philistines e soam a Power-Pop/Punk/New Wave... enquanto o John Lydon reconstituiu os PIL (Public Image Ltd).


Glen Matlock & The Philistines


Os PIL em 2010

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Legion Of The Sadists - Concerto no Algarve

Para quem me conhece, não é novidade. Os Sadists eram a minha banda punk rock preferida em Portugal quando era um quarteto. Smash, Crash, Flesh e Stash era uma formação que tinha algumas limitações, mas que resultava.



Fizeram um upgrade na bateria e arranjaram um segundo guitarrista competente... a banda ficou mais forte em termos de execução, mas a meu ver perdeu um pouco a nível de, chamemos-lhe, mística.

Saí de Lisboa no Verão passado para ir ver esta nova formação ao festival Brenha a Arder e foi esta a sensação com que fiquei. Mas dei o benefício da dúvida...

Agora apareceram mais duas datas... quando li que ia ser com um terceiro vocalista que não o FJ Dias e o Marion Cobretti pensei que não valia a pena mesmo voltar a fazer quilómetros para os ver.

Mas quando vi as fotos do concerto de Coimbra e percebi que estava de volta a figura de proa desta banda na voz percebi logo que não podia perder o concerto do Algarve, onde tudo começou há uns anos atrás.

Por isso, amanhã cá vou eu fazer mais uns quantos quilómetros com a mala às costas, dormir na pensão e acordar com uma ressaca infernal e fazer o caminho de regresso pra Lisboa com um olho aberto e outro fechado e uma dor de cabeça enorme só com um propósito... ver uma das poucas bandas que me interessam em Portugal.

Porque o underground é isto... é correr o país, rever velhos amigos, soar a camisola, estragar a saúde, só para estar lá à frente de punho erguido a cantar as músicas que ouvimos há anos nos concertos.

E os Sadists foram os reis do Underground e acredito que no Algarve, a jogar em "casa", vão recuperar o título outrora perdido.

Por fim, resta acrescentar que o concerto é no Bafo de Baco, na sexta-feira (27 de Maio de 2011) por volta das 22H00 (espero que com atrasos porque a viagem de Lisboa é longa e há que jantar um bom bife porque o Algarve tem Jagermeister e Southern Confort em abundância).

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Os descendentes dos Ramones - parte I

Durante anos foram várias as bandas que foram, de uma forma mais ou menos bem conseguida, tentando copiar a formula de sucesso dos Ramones. Quase todas sem sucesso.

Da Escandinávia saíram os Hymans, dos Estados Unidos os Queers e os Screeching Weasel e por aí fora.

No entanto, desde meados de 2000 (circa 2005) tenho reparado num número crescente de bandas que conseguem captar bem a essência "Ramónica" e fazer bons discos de rock com grandes influências de Ramones, mas que conseguem passar para lá dessa barreira, coisa que os supracitados antecessores não conseguiram.

Uma delas era italiana e chegou a tocar em Portugal. Eram os Cummies. Pop-punk com influências Killed By Death. Falo destes primeiro porque os vi ao vivo e conversei com o vocalista e mentor da banda. Ao vivo, metade do set era covers (The Kids, Circle Jerks, Vibrators e duas de... Ramones). Em estúdio, o som era um pop-punk com guitarras à Ramones, saltitante e 'catchy'.

No entanto, os "reis" neste tipo de som vêm da América e chamam-se The Briefs. Já contam com uma mão cheia de singles (destaque para o clássico "Poor and Weird") e 4 álbuns de originais, uma compilação com os singles e um DVD com a história da banda e com um Cd ao vivo como bónus. Assinaram com a Better Youth Organization (BYO), companhia discográfica do vocalista dos Youth Brigade. O som é claramente influenciado pelos Ramones, mas a veia KBD é óbvia, como se pode perceber pela cover da "Dead In The Suburbs" da clássica banda dos anos 70, Los Reactors.



Outra banda com algum nome dentro deste género são os Clorox Girls. Ao contrário do que o nome indica são 3 homens a fazerem punk rock e do bom. O nome da banda vem de uma música dos Redd Kross e as suas influências são claramente o punk americano. Para além dos Ramones (claro...), também se percebem influências dos Angry Samoans, Adolescents, e dos Dickies. Também são da BYO e contam já com 3 LP's a rodar no mercado.



Há relativamente pouco tempo fui também apresentado aos Mean Jeans. É a banda que menos conheço de todas estas. Mas conheço o suficiente para dizer que são realmente bons. São orelhudos, eficazes e, acima de tudo, fazem punk rock bom. A fórmula é simples... Ramones meets the Dickies.



Termino esta lista de bandas com aquela que, pessoalmente, mais gosto. Pensava que tinham acabado (e acabaram) mas percebi que estão para voltar aos concertos e, espero, às gravações. Falo dos Sleazies. De todas estas são claramente a banda mais agressiva, mais in your face. Têm um LP (Trite Ditties And Meaningless Crap) e um Single (Gonna Operate On Myself) e recomendo vivamente que procurem isto. O álbum saiu pela Pelado Records da Califórnia e é bom, muito bom. Nota-se as influências dos Ramones, Dickies, Angry Samoans e The Gears, mas vai para além disso... tem um toque do punk inglês que os faz diferentes.



Em breve mais bandas deste género que agora aparecem que nem cogumelos...